Solidão

 

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer amor...isso é carência.

 

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...isso é saudade.

 

Solidão não é o retiro voluntário que a gente impõe as vezes, para realinhar pensamentos..isso é equilíbrio.

 

Tampouco é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente, para que revejamos a nossa vida...isso é um princípio da natureza.

 

Solidão não é o vazio de gente do nosso lado ...isso é circunstância.

 

Solidão é muito mais que isso.

 

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão, pela nossa alma!

 

 

Andei durante um tempo me sentindo sozinha, e eu realmente não entendia o porque, afinal sempre estava rodeada de pessoas, mais mesmo assim sentia que me faltava alguma coisa...

Hoje percebo q essa sensação de solidão foi na verdade uma transformação pela qual passei e ainda estou passando. Estou em busca das coisas que me fazem feliz, deixei as coisas que simplesmente me acomodavam e estou lutando pelas coisas que me trazem alegria...

Eu sei que as vezes essa busca pode magoar outras pessoas, que estão junto a mim, porque toda ação gera uma reação, mas descobri que dentro de mim existem coisas que precisam ser colocadas para fora, e com muito esforço, pouco a pouco, estou me redescobrindo, achando minha essência....

Queria compartilhar com todos meus queridos amigos essa sensação de paz q sinto na minha alma, e queria espalhar essa energia de amor e amizade, pq afinal todos somos luz....um gde beijo e um ótimo fim de semana..Dani



- Escrito por Dani
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RELACIONAMENTOS

OSHO

 

Quando o amor não é uma busca, não é uma necessidade, mas um compartilhar, ele tem uma tremenda beleza. Aí, ninguém estará preocupado se ele vai ou não durar para sempre. Se ele acontecer apenas por este momento, já será ótimo, a pessoa compartilha. Se amanhã você se encontrar de novo com esse homem e ele estiver pronto para se encontrar com você, você compartilha novamente, caso contrário, dê um tchau. Agradeça a ele porque houve um momento em que você compartilhou e foi um momento feliz e você não quer fazer disso uma coisa permanente. 
A idéia de fazer alguma coisa permanente surge apenas porque você está movida pela necessidade. Você está com medo, esse homem deu felicidade a você e amanhã, se ele disser não, você ficará de novo infeliz. Assim, você procura dar um jeito para que amanhã ele não possa escapar. Tranque a porta! Mas uma vez que a porta esteja trancada, aquela energia não estará mais presente, nem mesmo neste exato momento, porque o amor acontece apenas em liberdade.
 Uma vez que a porta esteja trancada, uma vez que o homem comece a sentir que ele foi pego, uma vez que a mulher começar a sentir que ela foi pega, está tudo acabado. Pode levar anos para que eles reconheçam o fato, mas tudo já se acabou agora. Se você for muito estúpida, levará muitos anos para você reconhecer; se você for inteligente, uns poucos meses; se você for muito, muito inteligente, uns poucos dias. Se você estiver alerta neste exato momento, você será capaz de ver que você matou a relação. A criança não está mais viva, ela agora é um cadáver, porque você tentou possuí-la.
E por que a pessoa quer possuir? Porque você pensa: 'Esse homem me supriu com felicidade hoje. Quem vai me suprir amanhã?'  No momento em que você reconhecer que esse homem não fez coisa alguma, você terá dado um presente a si mesma. Algumas vezes você pode dar a felicidade a si mesma, estando junto com alguém, outras vezes você pode dá-la quando estiver só. Mas ninguém está dando algo para você. É somente você dando algo para si mesma. 
Algumas vezes nós damos indiretamente: nós damos o presente para a pessoa e então ela dá de volta para você. Ele dá um presente para você, mas que, na verdade, é para ele mesmo, e você devolve para ele. É através do outro, mas ele é o seu presente que você deu a si mesma. 
Uma vez que isso seja entendido, você não precisa percorrer estradas longínquas, siga um roteiro curto. Você pode simplesmente dar o presente de uma mão para a outra e você estará tão feliz como se fosse dado por uma outra pessoa. Sozinha, você será feliz. 
Então, basta lembrar-se desse insight e nada mais precisa ser feito. Na próxima vez, quando você começar a criar ilusões de novo, lembre-se da Divya... e relaxe! Eu não estou lhe dizendo para se tornar uma freira, eu não estou dizendo isso. Eu estou lhe dizendo para se tornar um indivíduo, não uma freira. Torne-se um indivíduo. Ame por alegria, não por necessidade. Ame não como um mendigo, ame porque você tem muito e você gostaria de compartilhar com alguém. Não tente prender ninguém e não tente se apegar, senão isso acontecerá de novo e de novo. Então você terá muitos amores em sua vida e muitos namorados. 
Algumas vezes, uma tal pessoa individual, uma tal pessoa livre, que é capaz de dar felicidade a si mesma, tal pessoa pode amar uma mesma pessoa por muitos anos, mas cada vez é um novo encontro amoroso, porque ela não conecta isso ao tempo, ela não pensa no amanhã. O hoje se encerra hoje. Uma tal pessoa vai para a cama e põe um fim nesse mundo, esse mundo do hoje. Amanhã pela manhã ela se levantará novamente em um outro mundo. Ainda que a pessoa seja a mesma, para um tal indivíduo ela não será a mesma. Assim, talvez a pessoa seja a mesma, ou talvez não seja, isso não fará qualquer diferença: o homem que é feliz seguirá amando, a mulher que é feliz seguirá amando.
 E nada peça em nome do amor. É bom que a pessoa ame... Amando, a pessoa é feliz. Agradeça ao outro por ele ter aceito o seu amor, agradeça ao outro por ele ter dançado com você por um momento, cantado com você por um momento e ponto final. Não precisa prolongar isso. Não é preciso dizer: 'E o amanhã? E o depois de amanhã?'
Não traga o futuro, permaneça livre. Deixe que o amanhã traga os seus próprios brinquedos. Por que fazer do amanhã uma repetição do dia de hoje? Quem sabe? Melhores brinquedos estarão esperando por você amanhã. 
Esteja excitada com o futuro, mas sem qualquer expectativa... sem qualquer esperança, sem qualquer cobrança, simplesmente uma excitação. O novo irá acontecer, o novo está pronto para acontecer.



- Escrito por Dani
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DIAS ESTRANHOS

Dias estranhos estamos presenciando
Pessoas ao acaso estão matando
E o silêncio, do qual precede a morte, pode ser sentido.
Há corvos voando ao redor de nós.
Há corvos voando por toda essa cidade,
Em cada rua fria e mórbida,
Estão histórias que foram esquecidas, apagadas.
Com olhares malígnos, somos vistos e recebidos.
Com braços falsos de aniquiladores, somos sufocados.

Estamos vivendo em dias estranhos.
Tempos estranhos nos condenam.
Cidades estranhas, nos prendem.
Ouçam os velhos sábios da cidade,
Sentados sozinhos em suas casas, sem nenhum prestígio,
Apenas com uma honra esquecida pelos pensamentos modernos,
E conquistada com seus belos pensamentos na antigüidade.
Silêncio, morrem calados.

Os poderosos estão sucumbindo.
Trêmulos, estão caindo de seus tronos.
Observe. Apenas observe calado.
Ainda não está na sua hora de triunfar.
Não tente uma chance perdida.
Olhe para o relógio,
Veja o tempo daqueles que não souberam viver, acabar.

A poeira cósmica que cegava a todos, está de passagem.
Brilhe com seu metal puro:
Há guerreiros, com suas espadas sangrentas,
Cobertos por mantos que revelam apenas grandes cicatrizes,
E escondem as feridas em suas almas.

Erga-se. Erga-se.
Os nobres, senhores todo-poderosos, falharam,
E pela própria ganância foram enganados, e sucumbiram,
Para o total esquecimento da população.

Erga-se. Erga-se,
E aproveite o tempo que lhe foi concebido.
Não há violência,
Apenas amor.
Nada mais é obceno,
além da violência e do derramamento de sangue.
Tudo é permitido!

Os corvos morreram junto com todos os olhares malígnos,
E os braços sufocantes dos aniquiladores se foram.
Flores passaram a habitar e cobriram toda a cidade.
As espadas sangrentas foram transformadas em lápides
Para seus próprios guerreiros que impuseram por tanto tempo
Sua vontade através da violência.

A razão e a energia se uniram formando um só estado:
Junção do céu com o inferno.
O bem e o mal sempre foram os mesmos viajantes da ocasião
Interpretados de maneiras diferentes.

Erga-se. Acorde. Viva o estado.
Vocês estão desacordados
Em um transe.
Estão sendo mandados e desmandados,
Como se não tivessem opinião,
Ou tão pouco formulasse algum pensamento:
E vocês parecem gostar, obedecem.

Acordem. Ergam-se.
Todos os poderosos que os prendiam e os usavam,
Morreram.
Ousem. Se arrisquem.
Este é fim dos cruéis.
É o início do amor,
De uma libertação sem dor.
Unam-se a mim.
Ergam-se. Pensem. Acordem.
Ergam-se. Pensem. Acordem.



Caio G. Fernandes
 retirado do site mundo jovem

 

Hoje queria passar a vocês o meu protesto contra a violência da cidade em que vivemos, pq não podemos mais caminhar nas ruas com tranquilidade, tampouco dentro de nossas próprias casas, qdo será que vai haver uma mudança? Qdo iremos ter paz e tranquilidade?

As pessoas se sentem violadas o tempo todo, porque não há mais em quem confiar, não há mais possibilidade de sair sem medo. Como iremos criar nossos filhos?

E mesmo com tudo isso, ainda tenho esperança de dias melhores, de dias mais calmos...um beijo a todos!

 



- Escrito por Dani
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Café da manhã

magda almodóvar

 

 
Já é manhã.

Acordo ainda tonta e risonha.

Olho o teto, vejo sonhos.

Percebo meu corpo no peso de seu braço que ainda em mim repousa...

mão em meu seio.

Com cuidado retiro seu braço.

Não quero acordá-lo.

Espreguiçando, vou sentindo em meu corpo relaxado os vestígios de nossa noite de amor.

Sento-me na cama e olho você.

Seu rosto é ternura, na boca um sorriso.

Sono profundo, ausente do mundo, me vejo em você.

Em seu peito repousei depois do amor.

Em seu ombro leves marcas de mordidas.

Em seu membro recolhido sinto cheiro de

nós dois.

Visto assim dormindo em paz, percebo a fragilidade do meu homem: criança,
meiguice, doçura, sandice... meu amor.

Saio do quarto.

Preparo o Café da Manhã com croissant, queijo, leite, cereais, frutas, café e carinho.

Banho-me e trago a bandeja pra nós dois.

Deposito a bandeja sobre a mesa

e mais uma vez olho você...

Nu...
Satisfeito...

Meu.

Acaricio delicadamente seu rosto...

Beijo cada um de seus olhos...

Deslizo minhas mãos em seus cabelos macios.

Seu corpo estremece ligeiramente...

Ainda dorme.

Lambo o contorno do seu corpo...

Esfrego

s u a v e m e n t e

meu rosto nos pêlos de seu peito másculo...

Novo estremecimento...

Ainda dorme.

Observo os músculos definidos de suas coxas...

O membro em repouso...

Amo você.

Com cuidado me posiciono sobre você

sem tocá-lo...

Meus joelhos ladeiam suas pernas.

Delicioso saber que este homem

lindo e saboroso é meu...

Você inerte,

vulnerável...

Eu alerta,

faminta.

Tomo posse deste corpo,

v a g a r o s a m e n t e...

Corro minhas mãos sobre suas coxas...

Seu ventre...

Seu peito.

Beijo suas virilhas e seu membro...

Você reage...

Parece que vai acordar.

Sussurro bom dia em seus ouvidos...

Não resisto e passeio minha língua em suas orelhas...

Mordisco seu queixo...

O chamo de amor.

Que sono pesado!

De beijos cubro seu pescoço...

Seus ombros...

Encosto meu corpo no seu,

Me movimentando

O f e r e c i d a m e n t e...

Ainda dorme...

Seu desejo acordou...

Seu membro cresce e roça meus
pêlos...

Lambo seus lábios...

Repito um bom dia coberto de amor.

-Bom dia, minha mulher gostosa...

Sua voz rouca me diz.

- Trouxe seu Café, querido...

Respondo.

Você me abraça.

Cola meu corpo...

Enche-me de beijos...

Fala-me carícias...

Fazemos amor.

Sobre a mesa a bandeja espera...



- Escrito por Dani
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Ter ou não ter namorado

Carlos Drummond de Andrade

 
 
 
Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.
Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.
Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.



- Escrito por Dani
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BELEZA RARA

Eu não posso deixar que o tempo te leve jamais para longe de mim
Pois o nosso romance, minha vida, é tão lindo
És quem manda e desmanda nesse coração
Que só bate em razão de te amar
Daria o mundo a você se preciso

Você tem o aroma das rosas
Me envolve em teu cheiro
E assim faz ninar
A imensa vontade de estar ao seu lado

Nem o mar tem o brilho encantante
Como dos teus olhos, minha pedra rara
Eu não vou negar, sem você
O meu mundo pára

Mil voltas, e, voltas que dei
Querendo de uma vez te encontrar
Alguém que levasse a sério amar
Mil voltas, e, voltas que dei
Querendo de uma vez te encontrar
Alguém igual a você, beleza rara

Hoje sou feliz e canto
Só por causa de você,
Hoje sou feliz, feliz e canto
Só porque amo, amor, você

Um beijo especial p/ Thi.

 (Beleza rara, uma letra da Ivete, q eu gosto muito )



- Escrito por Rebeccah
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Uma Crônica

 
 
Marina Colasanti

 

     Eu sei que a gente se acostuma, mas não devia.

     A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

     A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e a dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz.

     E aceitando as negociações de paz, aceita ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.

     A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e a ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

     A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber. Vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente se senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado.

     A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

 

Nunca é tarde para mudarmos, para deixarmos de nos acomodar...

A vida tem muito mais a nos oferecer...é só enxergamos as possibilidades...um gde beijo!!!



- Escrito por Dani
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Sentir saudades é saber que existiram pessoas que de alguma forma te marcaram de uma maneira especial...

Hoje sinto muitas saudades, e sei que cada saudade sentida, teve sua devida importância em me mostrar como cada ser humano é especial, não importando se existiu reciprocidade ou não, apenas pelo fato de em algum momento da minha vida,  ter encontrado esse alguém e ter olhado mais intensamente, que foi capaz de me deixar saudade, tinha alguma coisa de diferente...

Quantas pessoas passam por nossas vidas ao longo dos anos, e algumas nem nos lembramos mais? Poucas tocam nossos corações de maneira intensa...não só como amor, e sim de uma forma geral, existem aqueles que foram destinados a nos ensinar algo...

Talvez eu demore anos a entender o que cada pessoa me ensinou, talvez eu nunca descubra, mas com certeza estarei sempre pronta a sentir saudades de novo...

Afinal sentir saudades é amar de uma maneira infinitamente sincera...

Um beijo em todos que passarem por aqui...Dani

 



- Escrito por Dani
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Saudades

Em alguma outra vida devemos ter feito algo muito grave, para sentirmos tanta saudade...
Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, e ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ela foi à consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada, se ele tem assistido às aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua preferindo suco, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor, se ele continua cantando tão bem, se ela continua detestando Mc Donald¿s, se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficam mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os seus amigos por isso...
É não saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...

Miguel Falabela

um abraco, Becky

 



- Escrito por Rebeccah
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Intensa... prática... apaixonada... sorridente... melancólica... perdida em tantos defeitos e virtudes... esse é o meu espaço, um pouco da minha alma... enquanto não encontro minha metade, vou divagando mundo afora... as palavras fluem... o pensamento viaja... não tenho pretensões... escrever é uma grande paixão... além de ser uma eterna arte... a arte de poder ser poeta... um poeta da própria vida... 

 



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