CHORAR...

Claudia Marczak

Não gosto de chorar,
porque chorar me torna frágil.
Mais frágil ainda do que sou,
ou até quem sabe,
mais frágil do que possa parecer.
A frieza da vida me assusta.
Ela corta como um bisturi e disseca meus olhos,
sangrando meus sonhos,
deixando minha alma vazia e nua.
Pobre alma a minha !
Perdida entre tantos olhos,
por tantas vidas,
entregue a mercê de seu próprio destino.
Por vezes não me vejo nela
e creio até que ela não se vê em mim.
Existimos as duas,
ora unidas,
ora ambíguas,
tentando sobreviver bebendo o sal das lágrimas,
comendo a poeira do chão da estrada,
insistindo em caminhar.
Mas onde está o sentido ?
Quem é que pode dizer que há algum sentido em alguma coisa ?
Caminhamos junto a uma multidão,
e todos estão absolutamente sós.
Não existe realmente um sentido.
O destino inexorável nos leva ao fim...



- Escrito por Dani
[ ]



 

 

 

 

Amo... 
  

Florbela Espanca
 

 as pedras, os astros e o luar que beija as ervas do atalho escuro,

Amo as águas de anil e o doce olhar dos animais, divinamente puro.

Amo a hera que entende a voz do muro e dos sapos, o brando tilintar

De cristais que se que se afagam devagar,

E da minha charneca o rosto duro.

Amo todos os sonhos que se calam

De corações que sentem e não falam,

Tudo o que é Infinito e pequenino!

Asa que nos protege a todos nós!

Soluço imenso, eterno, que é a voz

Do nosso grande e mísero Destino!...

No desequilíbrio dos mares, as proas giram sozinhas...

Numa das naves que afundaram é que certamente tu vinhas.

Eu te esperei todos os séculos sem desespero e sem desgosto,

e morri de infinitas mortes guardando sempre o mesmo rosto

Quando as ondas te carregaram meu olhos, entre águas e areias,

cegaram como os das estátuas, a tudo quanto existe alheias.

Minhas mãos pararam sobre o ar e endureceram junto ao vento,

e perderam a cor que tinham e a lembrança do movimento.

E o sorriso que eu te levava desprendeu-se e caiu de mim:

e só talvez ele ainda viva dentro destas águas sem fim...
 



- Escrito por Dani
[ ]



Esperança...

Lya Luft

 

Foram-se os amores que tive
ou me tiveram:partiram
num cortejo silencioso e iluminado.
O tempo me ensinou
a não acreditar demais na morte
nem desistir da vida:cultivo
alegrias num jardim
onde estamos eu,os sonhos idos,
os velhos amores e seus segredos.
E a esperança que rebrilha
como pedrinhas de cor entre as raízes...



- Escrito por Dani
[ ]



 

Intensa... prática... apaixonada... sorridente... melancólica... perdida em tantos defeitos e virtudes... esse é o meu espaço, um pouco da minha alma... enquanto não encontro minha metade, vou divagando mundo afora... as palavras fluem... o pensamento viaja... não tenho pretensões... escrever é uma grande paixão... além de ser uma eterna arte... a arte de poder ser poeta... um poeta da própria vida... 

 



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